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Me amo e me faço carinho.

Botei um som, enterrei a cabeça no travesseiro, mordi o lençol e chorei. Muito, litros, bicas.
Tá, tudo bem, não taaanto, mas um tanto.
E se a água do mar purifica, leva e lava o que há de ruim, e as lágrimas são de água salgada, considero feito o descarrego.

Às vezes o coração se angustia, fecha, a cabeça fica inquieta. Não precisa o desespero mas ele bate, eu chamo sem saber - a gente que comanda, a gente que chama - e de repente ele está aqui, não perde uma oportunidade, esse oferecido. Hoje penso que é para testar se estou colocando em prática o que tenho aprendido nesses últimos dias.
Já que é um teste, bom, devo ter passado, pois já mandei ele embora. Intruso, você não me pertence, não faz parte de mim. Eu sou bonita, cheia de cor, verde, rosa, azul, lilás, laranja, branco, um carnaval na primavera. Boa temperatura, cheiro bom, pensamentos coloridos e muito amor.

A transição é um circo. Essa coisa toda aflorada e efusiva tem até uma beleza, tanta, que é tentador permanecer; mas circos são passageiros e como tudo que é transitório, um dia tem de acabar.

De repente, depois de um tempo flutuando na bagunça, vi que escondida atrás dos soluços, do escândalo e das plumas, depois de toda desordem, tem aquela florzinha cor de mar na calmaria, que quando a gente acha, faz um jardim cheio dela.

Quando abro as janelas, a maresia toma logo conta. Essa é a brisa do novo tempo; o circo foi embora e eu não fugi com ele.

Poucas coisas são tão deliciosas como ver esse azul...

2 Sopro[s]:

Juliano Leví disse...

Simplesmente espectacular !
intimista, leve, bom de ler ^^

boa coisa

Maeve disse...

e realmente, multiplas cores...
mas se o circo chamar, vá...