Meus dias nunca haviam sido tão confusos. De tanto estar só pensei estar acostumada à minha presença. Ver-me e sentir-me só me incomoda. Há um grito preso, uma angústia, aqui entre o pescoço e o início do estômago, angústia essa que escorre por minha cintura, alcança os quadris e descompassa minhas pernas. Agora e ainda sou uma criança. A fome não vem, tampouco o sono. Adormeço por conta do peso da dúvida e pelo cansaço. Procurando quando, exatamente, começamos a nos perder. Falávamos línguas diferentes por diversas vezes, creio que desde o início era previsto. A mágoa, a dúvida, a realidade. Saltam dos meus olhos os sentimentos de agora. Já não há quem não perceba.
Tenho conhecido cada linha que constitui o meu lençol, cada pena do meu travesseiro, o cheiro do meu suor, da minha pele esquecida. Meus dias começam às duas da tarde e não sei ao certo a que horas terminam. Meu cérebro insiste com as sinapses. Agora é tudo uma poeira sem sentido, algum ruído, música distante, as notas adentrando o fundo do mar. Esta condição me incomoda, mas o espírito desse tempo me agarra pelas ancas. Já não sou eu quem escreve, já não sei quem está com a caneta em punho, quem segura o papel branco, a quem pertence este vestido abandonado na lenta morte vespertina. O relógio não conta e nem avisa a hora em que devo despertar.
Agora é apenas a fumaça do sono, é apenas éter.
E já não sou mais eu.
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cov.ardia
domingo, 15 de novembro de 2009
se te prometi que não te soltaria, por que justamente tu foi soltando teus dedos enquanto eu dormia?
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