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Eu disse "- Já viu que carambola é uma estrela que a gente planta?"
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Hábito (latim habitus, -us, estado (do corpo ou de uma coisa), constituição, trajo)

Partindo do pressuposto de que tudo acontece por algum motivo, penso que é cabível a ideia de que os fatos sucederam para que se pusesse fim em costumes arcaicos e saisse desta esfera de conforto. Um estopim. O clímax, onde uma escala se encerra e outra gradação começa a acontecer, de maneira ascendente.

É chegada a hora. Como tantas vezes foram dadas a mesma chance, em ocasiões diferentes. Algumas foram bem aproveitadas, outras desperdiçadas pelo tempo; sem culpa, apenas desperdício.

Mais uma vez se apresenta outra aurora além, outro tempo de despojar-se. E tantos outros tempos virão o quanto for preciso. Basta existir para sermos presenteados com uma vastidão de vidas numa única, todas revelando diariamente suas infinitas oportunidades para que se evolua.

Boa sorte é estar vivo.






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so[h].pro

Meus dias nunca haviam sido tão confusos. De tanto estar só pensei estar acostumada à minha presença. Ver-me e sentir-me só me incomoda. Há um grito preso, uma angústia, aqui entre o pescoço e o início do estômago, angústia essa que escorre por minha cintura, alcança os quadris e descompassa minhas pernas. Agora e ainda sou uma criança. A fome não vem, tampouco o sono. Adormeço por conta do peso da dúvida e pelo cansaço. Procurando quando, exatamente, começamos a nos perder. Falávamos línguas diferentes por diversas vezes, creio que desde o início era previsto. A mágoa, a dúvida, a realidade. Saltam dos meus olhos os sentimentos de agora. Já não há quem não perceba.
Tenho conhecido cada linha que constitui o meu lençol, cada pena do meu travesseiro, o cheiro do meu suor, da minha pele esquecida. Meus dias começam às duas da tarde e não sei ao certo a que horas terminam. Meu cérebro insiste com as sinapses. Agora é tudo uma poeira sem sentido, algum ruído, música distante, as notas adentrando o fundo do mar. Esta condição me incomoda, mas o espírito desse tempo me agarra pelas ancas. Já não sou eu quem escreve, já não sei quem está com a caneta em punho, quem segura o papel branco, a quem pertence este vestido abandonado na lenta morte vespertina. O relógio não conta e nem avisa a hora em que devo despertar.
Agora é apenas a fumaça do sono, é apenas éter.
E já não sou mais eu.
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cov.ardia

se te prometi que não te soltaria, por que justamente tu foi soltando teus dedos enquanto eu dormia?
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si.lêncio

zunido
trick-track
noise
zumbido
bzzzz
shhhh
trim
ai
dói
iiiihhhhhhhh
estalido
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Em 12/04/07: "hoje eu fiz uma declaração de amor pra mim. =]"


Eu sou a rosa branca e valente
E a minha estrela de mil pontas prossegue brilhante
Tantas outras estrelas nascendo
E tanta valentia rosa, branca, dentro delas

Eu tenho o sol na cabeça
E a primavera nos olhos
Minha força, em outros tempos medrosa, envergonhada
Hoje despe-se

Estrela
de estrelas

Mostra-te, fogo;
O signo, ontem tímido
Travesso queima
Ardendo o peito, iluminando a alma
Estala o coração

O espírito dela que leva o nome
Nome dela, que transpira teu significado
Escreveu na pele de cristal a epopeia
Que em letras de sol se fez

E como nasceu para ser
Sai de trás das cortinas
Se mostra em todos os palcos
E a pequena heroína é agora como sempre foi:
É luz, explosão, estilhaço